10 anos

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[Folha.com] Sandy: de 'devassa' a 'reaça'!

A cantora Sandy, que por longos anos formou dupla com o irmão Júnior, e recentemente surpreendeu a todos fazendo o estilo 'devassa' num comercial de cerveja, foi a protagonista do episódio desta quinta-feira (26) de 'As Brasileiras'(Rede Globo): "A Reacionária do Pantanal".
"Mãe da gente é melhor que não tenha sexo", adverte a voz do narrador. E é quando Olinda (Regina Braga), a mãe de Gabriela (Sandy Leah), resolve contar para os filhos que está namorando que a coisa fica feia. "Quem é o cara?", é a pergunta que não quer calar. Mas todos se calam imediatamente quando Olinda solta: "Não é 'o cara'...é a minha professora de pintura!". Tóin!
"Politicamente correto no dos outros é fácil!", argumenta Gustavo (Danton Mello), um dos irmãos de Gabi. Alvoroço total na reunião familiar. Logo depois do baque, alguns até concordam que a mãe, viúva há muito e já do alto dos seus 62 anos de idade, tem o direito de buscar a sua felicidade. "Eu discordo e nunca vou aceitar!", é a posição de Gabriela. "A minha mãe colando 'velcro'!!!", exclama a moça estupefata.
Para complicar um pouco mais a vida de Gabi, o seu namorado, o 'mauricinho' Maurício (Pedro Neschling), convida-a para conhecer o seu pai num almoço. Já na chegada do casal à mesa, o 'ultra-reaça' Reginaldo (Jackson Antunes) não recebe bem a moça. E não só conta para o filho sobre a 'condição' da mãe de Gabriela como faz um discurso politicamente incorretíssimo.
"Essas pessoas lésbicas vão ficando masculinizadas...começam a falar palavrão, usam só calças compridas, botas e relógios grandes". Ironicamente, descreve exatamente o vestuário de Gabriela, que vai se encolhendo a cada item apontado pelo ex-futuro sogro. Maurício pede um tempo no namoro e Gabi vai até a mãe pedir-lhe satisfações.
Sem nenhum rodeio, Gabriela, que encontra o casal em plena harmonia e tranquilidade, vai logo soltando os cachorros: "por que uma pessoa 'normal', depois de trinta e cinco anos de casamento, vira lésbica?!?", joga ela na cara da mãe. Noêmia (Xuxa Lopes), a professora de pintura e 'namorada' de Olinda, é quem contra-argumenta: "por que todo o mundo só vê o lado sexual dos gays?". Silêncio geral.
"Que foi que eu fiz pra merecer uma desgraça destas?", pergunta-se Gabriela. "O pior é que tem gente que acha que 'lesbianismo' é hereditário!", preocupa-se ela. Gabi desabafa com Luiza (Fernanda Paes Leme), a sua melhor amiga de infância, que tenta amolecer o coração da colega. Vão juntas a um barzinho onde são assediadas de forma canhestra por três babacas.
Gabriela explode: "sabe porque tem tanta mulher querendo ficar com outra mulher? Porque não dá pra aguentar uns merdinhas como vocês!", e as duas deixam o recinto bufando.
Em meio ao turbilhão em que se transformou a sua vida, Gabi ainda recebe em sua agência de viagens a visita de um casal amigo de longa data - Frederico (Carlo Mossy) e Suzana (Tamara Taxman). Eles estavam à procura de uma boa dica para o filho que 'saíra do armário'!
Depois de muitas idas e vindas, Gabriela resolve dar uma trégua e aparecer na casa de Olinda para comemorar o 'dia das mães'. Percebe que o casal já foi aparentemente muito bem aceito pela família toda e tira uma carta da manga: um envelope com duas passagens para ambas realizarem um cruzeiro marítimo e, enfim, curtir uma 'lua de mel'.
Em se tratando da 'princesinha do pop nacional', não poderia ser diferente: final feliz à vista! Pois na festa Sandy Gabi conhece Hugo (Guilherme Winter), filho de Noêmia - a namorada de sua mãe. E é com ele que a 'reaça', que já foi 'devassa', amolece de vez o coração.
"A minha mãe (Noêmia) me criou sozinha. Você acha que eu tenho algum direito de julgá-la por alguma coisa? Eu quero mais é que ela seja feliz!", afirma Hugo, que é médico do exército. "É...o importante é ser feliz", concorda já conformada "A Reacionária do Pantanal" (texto de Luiz Fernando Veríssimo, adaptado por Ana Maria Moretzsohn, dirigido por Tizuka Yamasaki, com produção de Daniel Filho).
Mas não nos iludamos. Como dizia um antigo sucesso da banda Kid Abelha: "as coisas são mais fáceis na televisão".

 POR: RENATO KRAMER (COLUNISTA DO "F5")
Natural de Porto Alegre, formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Veio para São Paulo e ingressou na Escola de Arte Dramática (USP), formando-se ator. Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Fez algumas colaborações para a Ilustrada e, sempre a convite, assinou a coluna Antena, da "Contigo". Nesse meio tempo, fez crítica de teatro para o "Jornal da Tarde" e na rádio Eldorado AM. Mais recentemente foi colunista da Folha.com, comentando o BBB11. Atualmente, além de atuar, cursa Filosofia.

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